
|

Porto
Alegre :: maio / junho :: 2005 |
|
| E-mail:
conteúdo "verificável"
por terceiros. |
O mito corrente é de que o e-mail é seguro.
Uma das principais causas dessa crença é
o seu caráter pessoal. Uma troca de mensagens
entre duas pessoas parece ser algo restrito a esses
dois envolvidos. Ledo engano...
A Internet teve sua origem no âmbito militar,
pouco depois evoluiu para o meio acadêmico e,
de lá para cá - cerca de 30 anos - sua
estrutura de funcionamento não alterou-se.
O e-mail, certamente a mais usada das ferramentas da
internet, faz parte do contexto acima descrito. Ele
também não teve mudanças estruturais,
ao longo dos anos. Um Administrador de Rede pode - e
às vezes deve, dependendo da política
da empresa - verificar o conteúdo que trafegava
pela rede. Portanto, já temos, de cara, algo
que nem brecha é, mas sim uma característica
do conceito de funcionamento: um e-mail pode ser "verifcado"
por um profissional que é o responsável
pela manutenção do serviço. E isso,
em qualquer provedor de acesso que você conhece.
Isso, claro, tecnicamente. Se o provedor tem ou não
uma política interna de controle e sigilo, ou
de postura dos colaboradores, já é outra
conversa. |
Outro fator que pesa muito é a característica
de funcionamento da própria Internet, que baseia-se
num entrelaçamento de pontos, para levar informação
de um lado a outro. É, de fato, uma teia.
Sabendo disso, mesmo o leigo pode imaginar que sua mensagem
pode não estar indo do seu computador diretamente
para o outro. Há escalas, nesse vôo. E,
em cada escala, um potencial ponto para um leitor indesejado.
Por conta disso, costuma-se levar à risca a máxima:
Não escreva em um e-mail nada que você
não escreveria em um cartão-postal.
Muitas já descobriram, da pior maneira,
que não se trata de um exagero... Há casos
de demissão por uso indevido do e-mail pipocando
em empresas e corporações do mundo inteiro.
Os casos vão desde troca de imagens pornográficas
até constrangedores casos de romances tórridos
e proibidos que vêm à tona e tornam-se
públicos. |
|
|
Criptografia: e-mails seguros |
Fazendo o correto
Bem, se nada que for sigiloso, secreto, comprometor,
ou simplesmente pessoal, íntimo, pode ser enviado
com tranqüilidade por e-mail, então ele
perde grande parte de sua utilidade, certo? Não
exatamente. A melhor forma de garantir extrema segurança
ao e-mai é utilizar algum programa de criptografia.
Criptografia é uma forma de codificação
e decodificação. Somente o emissor e o
receptor têm uma chave, gerada pelo programa,
que permite "abrir" o código. Para
qualquer outra pessoa que intercepte a mensagem, o conteúdo
será apenas um amontoado de caractares sem sentido.
Um dos melhores softwares para isso é o PGP (Pretty
Good Privacy).
Evitando o errado
Também há todas aquelas situações
em que realmente não seria o e-mail a forma mais
adequada para trocar informação. Aqueles
relatórios do seu cliente, com informações
estratégicas; aquela pesquisa de satisfação
encaminhada ao diretor; aquela cópia do extrato
do dia (!); nada disso, ou com esse teor, enfim, deveria
ser enviado por e-mail. Mesmo que não houvesse
problemas de segurança implícitos, ainda
assim um pequeno deslize pode fazer a mensagem ir a
um destinatário errado (quem já não
fez isso?!?).
Bom, começamos pelo fato de que o e-mail não
é uma ferramenta para troca de arquivos, e sim,
para troca de mensagens. O fato de se poder anexar um
arquivo a uma mensagem visava auxiliar o emissor a coplementar
alguma idéia da mensagem, com uma imagem ou mesmo
texto auxiliar. Mas o conceito desvirtuou-se. Tornaram-se
comuns as mensagens sem mensagem (!) e com dúzias
de arquivos pendurados. Claro que o formidável
aumento da velocidade das conexões ajudou a consolidar
essa prática. Porém, para troca de arquivos,
ainda temos o velho e bom FTP (File Transfer Protocol),
um serviço específico para esse fim.
Mas o FTP, esse desconhecido, não é lá
muito utilizado, a não ser por iniciados. Então,
para substituirmos o e-mail com aqueles arquivos contendo
dados sigilosos, as pesquisas, as cotações,
os relatórios para a matriz, deveria-se utilizar
o conceito de Extranet (deixar disponível o documento
em área restrita, acessada por senha). Exemplo:
uma empresa de pesquisa, em seu próprio site,
deveria ter uma área segura onde dividiria seus
clientes por pastas. Cada pasta conteria os relatórios
e dados de cada cliente. Cada cliente teria sua senha
e acessaria sua pasta. Simples, organizado, correto,
seguro e eficaz. Se os interlocutores estão dentro
da mesma empresa, um assessor enviando algo para um
diretor, por exemplo, o ideal seria que essa empresa
tivesse uma Intranet com um repositório de documentos.
Enfim, o e-mail, por sua facilidade de uso e praticidade,
acabou conduzindo-nos a práticas nem muito seguras,
nem muito apropriadas, mas que pela rotina diária
acabam sendo automáticas. Não enxergar
o problema, no entanto, não o elimina. |
Revista Exame cobriu o tema
Numa feliz coincidência, enquanto essa matéria
para a Sinapses - agendada há pouco mais de um
mês - era finalizada, chegou às bancas
a edição 841 de Exame, trazendo uma excelente
reportagem sobre o mesmo tema! Confira, clicando
aqui.
|
|
 |
|