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Porto
Alegre :: maio / junho :: 2005 |
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| Documento
oficial: projeto de Berners-Lee |
Físico, avesso à publicidade, modesto ao extremo.
Assim é Tim Berners-Lee, o responsável
pela existência do browser, dos links de hipertexto,
do protocolo HTTP e de outros instrumentos que revolucionaram
o uso dos computadores e da própria Internet.
Navegar numa rede tão gigantesca como a internet
e de uma forma tão fácil só é
possível por que o físico inglês
Tim Berners-Lee inventou o browser, os links de hipertexto,
o protocolo de transferência HTTP, as URLs com
os endereços dos sites e formou a imensa teia
que ele batizou como World Wide Web. Em resumo, o que
ele fez foi possibilitar que qualquer pessoa pudesse
acessar a internet e desfrutar do seu conteúdo.
Mais não apenas isso: Berners-Lee também
cuidou de estabelecer padrões para a criação
de sites interativos, dinâmicos, inteligentes.
Antes da WWW, a internet já existia, mas com
outra aparência e uma proposta menos atraente.
‘‘A web melhorou significativamente a capacidade
das pessoas em obter informações centrais
para suas vidas, além de encorajar novos tipos
de redes sociais, apoiando a transparência e a
democracia e abrindo novas avenidas para o gerenciamento
das informações e o desenvolvimento de
negócios’’, afirma Pekka Tarjanne,
chefe do comitê que escolheu Berners-Lee.
Berners-Lee, especialista em projetos de comunicações
em tempo real e desenvolvimento de programas de processamento
de textos, inventou a web enquanto trabalhava no Cern,
o maior laboratório acelerador de partículas
do mundo, localizado em Genebra, na Suíça.
No fim dos anos 80, a invenção da web
foi o caso do homem certo no momento certo, resolvendo
um problema e mudando o mundo para sempre. No Cern,
o acesso às informações —
sobretudo o grande volume de pesquisas realizadas pelos
físicos nucleares — era um problema. Berners-Lee
entra em cena com o conceito de hipertexto, que já
utilizava em CD-Rom como material de referência.
A idéia de hiperlink era a tecnologia consagrada
para a organização e apresentação
de material escrito em formato eletrônico.
Com um servidor e browser, utilizando os protocolos
URL (Localizador Uniforme de Recursos), HTTP (Protocolo
de Transferência de Hipertexto) e HTML (Linguagem
de Marcação de Hipertexto), o físico
inglês possibilitou o acesso a todas as pesquisas
do Cern, além de permitir a transmissão
de imagens e gráficos. Em 1991, surgia o Mosaic,
browser que serviu de modelo para o Netscape, fruto
do legado de Berners-Lee.
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| Precário:
"navegar" na internet era assim... |
Na era pré-HTTP
Tela preta e um calhamaço de informações.
Quem trabalhou com a internet nos primórdios
de sua criação ainda lembra com entusiasmo
do impacto causado pelo hipertexto eletrônico
e pelos protocolos criados por Tim Berners-Lee.
‘‘Os serviços disponíveis
restringiam-se a correio eletrônico e transferência
de arquivos. Gráficos e imagens pela internet
eram coisas de outro mundo’’. lembra Virgílio
Fernandes Almeida, coordenador do Departamento de
Ciência da Computação da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG).
O professor não se esquece da chegada dos
protocolos HTTP e HTML ao universo acadêmico
brasileiro. ‘‘Boatos começaram
a surgir: um físico nuclear criou a World Wide
Web, agora, tudo ficará mais fácil,
diziam os mais eufóricos. Em 1992, conhecemos
as ferramentas de Berners-Lee e o advento de sua descoberta:
o Mosaic, primeiro browser da internet. Antes, o acesso
era feito através de nós ou pontos de
conexão que permitiam a troca de mensagens.
Entre eles o Telenet, primeiro serviço comercial
da internet e a Bitnet, que se propagou no meio acadêmico’’,
conta.
No entanto, bem antes dos protocolos de Berners-Lee,
a internet — com uma cara bem diferente —
era usada na década de 60 como estratégia
de comunicação militar desenvolvida
pela Agência de Projetos Avançados de
Pesquisa (ARPA) do Departamento de Defesa dos Estados
Unidos, que previa a criação de uma
rede de computadores para interligar seus principais
centros militares de comando.
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Apenas a fama, e contra a vontade...
Uma simples idéia de sucesso na Internet pode
render milhões. A mãe de todas as idéias,
no entanto, rendeu pouco mais que notoriedade e respeito
ao inglês Tim Berners-Lee.
Tim Berners-Lee afirma que não teria tido sucesso
se tivesse cobrado por suas invenções.
"Se eu tivesse tentado cobrar taxas... Não
haveria a World Wide Web", disse Berners-Lee, que
nasceu na Grã-Bretanha e evitou a fama e a fortuna
ganhas por outros de seus colegas que desenvolveram
a internet.
Modesto, afirma que não fez nada de mais: "Eu
estava pegando várias coisas que já existiam
e adicionando pouco a pouco". Agora, comanda o
instituto padronizador World Wide Web Consortium. Ele,
de fato, aproveitou conceitos bem conhecidos por engenheiros
desde a década de 60, mas foi aquele que percebeu
o valor de combiná-los.
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FONTE: compilação Business Forum, Estado
de Minas e Istoé Dinheiro
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